Senado deve ficar mais conservador em 2027, indicam pesquisas para as eleições de 2026

As eleições de 2026 podem deslocar ainda mais o Senado para a direita. Levantamentos estaduais divulgados nas últimas semanas mostram candidatos conservadores competitivos em diferentes regiões do país, enquanto partidos do centro também aparecem com força na disputa pelas 54 cadeiras que serão renovadas.

O cenário ainda está longe de uma definição, principalmente porque várias disputas permanecem apertadas. No entanto, a fotografia atual aponta para uma Casa mais conservadora a partir de 2027, embora sem indicar necessariamente o domínio de um único partido ou grupo político.

Direita pode ganhar espaço no Senado em 2026

O PL aparece como uma das siglas com maior possibilidade de crescimento. O partido concentra candidaturas competitivas principalmente no Sul, Centro-Oeste e em estados do Norte. Além disso, aliados da direita aparecem bem posicionados em outras legendas, como PP, Republicanos, União Brasil e Novo.

Uma análise publicada pela CartaCapital em 10 de setembro mostrou a dimensão desse movimento. Ao considerar os dois candidatos numericamente mais bem colocados nas pesquisas disponíveis naquele momento, a projeção colocava o PL com pelo menos 20 senadores na legislatura iniciada em 2027. O PT teria 11. Trata-se, porém, de uma simulação baseada nas pesquisas daquele momento, e não de uma previsão do resultado eleitoral.

O Distrito Federal ajuda a ilustrar o avanço do campo conservador. Michelle Bolsonaro lidera as pesquisas, enquanto Bia Kicis também disputa uma das duas cadeiras. Em Santa Catarina, Carol De Toni, Carlos Bolsonaro e Esperidião Amin aparecem entre os nomes competitivos. Já no Paraná, candidatos como Deltan Dallagnol e Filipe Barros estão no grupo que disputa as primeiras posições.

Centrão pode ser decisivo no novo Senado

Um Senado mais conservador, porém, não significa necessariamente uma maioria controlada pelo PL. MDB, PSD, União Brasil, PP e Republicanos mantêm candidatos fortes em diferentes estados e podem continuar ocupando uma posição central nas negociações da Casa.

Essa característica torna o cenário mais fragmentado. Partidos de centro podem se aproximar do governo em determinadas pautas e votar com a oposição em outras, principalmente em temas relacionados à segurança pública, costumes e à relação do Congresso com o Supremo Tribunal Federal.

O PT também possui candidaturas competitivas. O partido aparece com possibilidades principalmente na Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Amapá, Espírito Santo e Acre. No Nordeste, contudo, o desempenho presidencial de Lula não significa automaticamente uma vantagem semelhante para candidatos petistas ao Senado, já que lideranças regionais de outras siglas mantêm força eleitoral.

Por que a eleição para o Senado ganhou tanta importância?

A dimensão da renovação explica parte da disputa. Neste ano, 54 das 81 cadeiras estarão em jogo. Portanto, dois terços do Senado poderão mudar de ocupantes de uma única vez. Cada estado e o Distrito Federal escolherão dois senadores para mandatos de oito anos.

Além de votar projetos e mudanças constitucionais, os senadores analisam indicações para o STF e outras instituições. A Casa também tem competência para processar e julgar crimes de responsabilidade atribuídos a ministros do Supremo e outras autoridades. Por isso, a composição eleita em outubro terá influência direta sobre a relação entre Congresso, governo e Judiciário nos próximos anos.

Por enquanto, as pesquisas devem ser tratadas como uma fotografia da campanha. Há estados com diferenças pequenas entre os candidatos, metodologias distintas entre os institutos e uma dificuldade adicional: cada eleitor terá dois votos para o Senado. Ainda assim, os levantamentos disponíveis até setembro mostram uma tendência relevante de fortalecimento da direita e de manutenção do peso dos partidos de centro na Casa.

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