Pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 28 de setembro, mostra o presidente Lula na liderança da disputa pela Presidência. No cenário estimulado de primeiro turno, o petista aparece com 42% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro tem 37%.
Na pesquisa anterior, divulgada em 21 de setembro, os números eram 40% e 37%, respectivamente. O levantamento é o primeiro do instituto realizado após uma semana marcada pela polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida e pela MP das Bets.
Lula chega a 42% e abre cinco pontos sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno
No principal cenário estimulado apresentado pela Nexus, Lula registra 42%, contra 37% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury e Ronaldo Caiado aparecem com 5% cada, enquanto Renan Santos tem 4%. Romeu Zema marca 1%.
Brancos e nulos somam 3%, enquanto 2% não souberam ou não responderam. Considerando apenas os votos válidos, Lula chega a 44%, contra 39% de Flávio. Cury e Caiado aparecem com 5% cada, Renan tem 4%, enquanto Zema e Samara registram 1% cada.
Na série histórica, Lula passou de 40% em 21 de setembro para 42% agora. Flávio permaneceu em 37%. Dessa forma, a distância numérica entre os dois passou de três para cinco pontos percentuais.
Voto espontâneo também coloca Lula seis pontos à frente
Quando os pesquisadores não apresentam previamente os nomes dos candidatos, Lula alcança 41%. Flávio Bolsonaro aparece com 35%, o que representa uma diferença numérica de seis pontos.
Renan Santos aparece com 4%, Augusto Cury tem 3% e Ronaldo Caiado registra 2%. Outros nomes somam 1%. Brancos e nulos representam 5%, enquanto 9% não souberam responder.
A série histórica mostra uma redução expressiva dos indecisos ao longo da campanha. Em 30 de março, eles representavam 30% da amostra. Agora são 9%. Ao mesmo tempo, Lula passou de 32% para 41%, enquanto Flávio saiu de 26% para 35%.
Lula x Flávio Bolsonaro: segundo turno tem 46% a 44%
A disputa fica mais apertada em uma eventual segunda votação. Lula registra 46% e Flávio Bolsonaro, 44%. Como a diferença é de dois pontos e a margem de erro geral é de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
Brancos e nulos representam 8%, enquanto 1% não soube responder. Em 21 de setembro, Lula tinha 46% e Flávio, 45%. Portanto, Lula permaneceu no mesmo patamar, enquanto Flávio oscilou um ponto para baixo.
A estabilidade também aparece quando se observa um período maior. Desde março, Lula e Flávio permanecem próximos nos confrontos diretos, sem que nenhum dos dois tenha conseguido construir uma vantagem ampla e persistente.
Nordeste dá maior vantagem a Lula; Flávio lidera no Sul e Norte/Centro-Oeste
O recorte regional ajuda a explicar o equilíbrio nacional. No segundo turno, Lula registra 57% no Nordeste, contra 35% de Flávio. É a maior diferença entre os dois candidatos nas quatro divisões regionais utilizadas pela Nexus.
No Sul ocorre o movimento inverso: Flávio tem 53%, contra 35% de Lula. No Norte/Centro-Oeste, o candidato do PL marca 50% e Lula, 44%. Já no Sudeste há igualdade numérica, com 45% para cada um.
O primeiro turno apresenta padrão semelhante. Lula chega a 53% no Nordeste, contra 30% de Flávio. No Sul, Flávio tem 42%, contra 32% do presidente. Norte/Centro-Oeste registra 40% a 38% para Flávio, enquanto no Sudeste Lula aparece com 40% e Flávio, 39%.
Idade divide o eleitorado entre Lula e Flávio Bolsonaro
A faixa de 25 a 40 anos é a mais favorável a Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, ele alcança 42% nesse grupo, contra 34% de Lula. Entre os eleitores de 16 a 24 anos, porém, Lula marca 42%, contra 28% de Flávio, enquanto Renan Santos chega a 13%.
Lula também apresenta vantagem numérica entre os mais velhos. Entre 41 e 59 anos, são 46% para Lula e 38% para Flávio. A diferença aumenta entre aqueles com 60 anos ou mais, grupo em que o presidente registra 47%, contra 34%.
O padrão permanece no segundo turno. Flávio chega a 52% entre os eleitores de 25 a 40 anos, contra 37% de Lula. Entre 16 e 24 anos, Lula marca 49% a 37%. O petista também tem 50% a 44% entre 41 e 59 anos e 53% a 39% entre aqueles com 60 anos ou mais.
Mulheres preferem Lula; homens dão vantagem a Flávio
O gênero também produz uma divisão expressiva. No primeiro turno, Lula tem 46% entre as mulheres, contra 32% de Flávio Bolsonaro. Entre os homens, a relação se inverte: Flávio registra 43% e Lula, 37%.
No eventual segundo turno, a diferença aumenta. Lula chega a 52% entre as mulheres e Flávio fica com 39%. Entre os homens, Flávio alcança 50%, enquanto Lula registra 40%.
Renda e escolaridade mostram outra divisão importante
Lula tem seus melhores resultados entre os eleitores de menor renda. No primeiro turno, registra 49% entre aqueles que recebem até um salário mínimo, contra 31% de Flávio. Na faixa entre um e dois salários mínimos, são 46% a 32%.
Flávio passa numericamente à frente nas rendas maiores. Entre dois e cinco salários mínimos, tem 40%, contra 38% de Lula. Acima de cinco salários mínimos, registra 42%, contra 39%.
No segundo turno, Lula marca 52% a 39% entre quem recebe até um salário mínimo e 50% a 39% na faixa de um a dois. Flávio aparece com 47% a 44% entre dois e cinco salários e 49% a 43% acima de cinco salários mínimos.
A escolaridade também produz diferenças. No primeiro turno, Lula alcança 50% entre eleitores com ensino fundamental, contra 31% de Flávio. No ensino médio, Flávio tem 41% e Lula, 37%. Entre aqueles com ensino superior, os números são 39% para Flávio e 38% para Lula.
Evangélicos dão vantagem a Flávio; Lula lidera entre católicos
O recorte religioso ganha importância adicional nesta rodada por causa da controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida. O episódio ocorreu entre a rodada anterior da pesquisa e o novo levantamento divulgado nesta segunda-feira.
Entre os católicos, Lula registra 47% no primeiro turno, contra 33% de Flávio. Entre os evangélicos, Flávio alcança 50%, contra 31% do presidente. Lula também tem vantagem entre quem declara não ter religião, com 48% contra 24%.
No segundo turno, Lula chega a 52% entre católicos, contra 39% de Flávio. Entre evangélicos, o candidato do PL alcança 57%, contra 35%. Entre os sem religião, Lula tem 55% e Flávio, 36%.
Os números mostram a fotografia do eleitorado depois da repercussão do episódio, mas a pesquisa não perguntou se a polêmica alterou o voto. Portanto, não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito entre o caso e as oscilações registradas.
Antilulismo supera antibolsonarismo na escala da Nexus
A Nexus também mede separadamente a concordância dos entrevistados com as afirmações “Sou Anti-Lula” e “Sou Anti-Bolsonaro (e sua família)”, em uma escala de zero a dez.
O antilulismo alcança média de 5,4, enquanto o antibolsonarismo registra 5,0. Na classificação criada pelo instituto, 29% são considerados “bolsonaristas convictos” e 27%, “lulistas convictos”. Outros 17% aparecem como não polarizados.
Há ainda 9% classificados simultaneamente como anti-Lula e anti-Bolsonaro, 6% que enxergam Bolsonaro como alternativa e 4% que veem Lula como alternativa. Na comparação com 21 de setembro, os bolsonaristas convictos passaram de 32% para 29%, enquanto os lulistas convictos avançaram de 24% para 27%.
Antilulismo e antibolsonarismo mudam por região e religião
Os bolsonaristas convictos chegam a 39% entre os evangélicos, enquanto os lulistas convictos representam 20%. Entre pessoas sem religião ocorre o inverso: 36% são classificados como lulistas convictos e 21% como bolsonaristas convictos.
Regionalmente, os bolsonaristas convictos chegam a 36% no Norte/Centro-Oeste e 33% no Sul. No Nordeste, são 22%, contra 34% de lulistas convictos. No Sudeste, os dois grupos representam 30% e 26%, respectivamente.
Rejeição é alta para os dois principais candidatos
Flávio Bolsonaro registra a maior rejeição nominal entre os dois principais candidatos: 51% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Outros 30% dizem que ele é o único candidato em quem votariam e 17% admitem votar nele, mas também poderiam escolher outro nome.
Lula tem rejeição de 48%. Ao mesmo tempo, 37% afirmam que ele é o único em quem votariam e 13% dizem que poderiam votar no presidente, mas também consideram outra candidatura.
Assim, os dois principais candidatos combinam eleitorados bastante consolidados com rejeições próximas de metade da população. Esse cenário ajuda a explicar por que o eventual segundo turno entre Lula e Flávio permanece tão apertado.
Economia e rejeição ao adversário estão entre os principais motivos do voto
A pesquisa perguntou quais fatores mais influenciam a escolha presidencial. Considerando as duas respostas possíveis, a economia brasileira aparece em primeiro lugar, citada por 33%.
As acusações de corrupção aparecem com 29%, seguidas pela rejeição a outro candidato, com 27%. Saúde pública alcança 24%, enquanto educação e segurança pública aparecem com 21% cada. A situação financeira pessoal soma 11%.
As motivações também mudam conforme o candidato. Entre eleitores de Lula, a rejeição a outro candidato aparece em 36%, enquanto educação chega a 32% e saúde, a 31%. Entre eleitores de Flávio, a economia brasileira alcança 44%.
Governo Lula tem 36% de avaliação positiva e 45% de negativa
Apesar da liderança eleitoral do presidente, a avaliação do governo continua majoritariamente negativa. Segundo a Nexus, 16% classificam a administração como ótima e 20% como boa, totalizando 36% de avaliação positiva.
Outros 19% consideram o governo regular. Na avaliação negativa, 8% classificam a administração como ruim e 37% como péssima, somando 45%.
Em outra pergunta, sobre aprovação pessoal do trabalho do presidente, 46% dizem aprovar Lula e 49% desaprovam. Outros 5% não souberam ou não responderam.
Segurança pública aparece como maior problema do Brasil
Segurança pública, violência e criminalidade formam o principal problema do país para os entrevistados. Considerando a primeira e a segunda respostas, o tema alcança 34%.
Saúde pública vem depois, com 27%, seguida por corrupção, com 24%. Classe política e educação aparecem com 15% cada. Inflação e custo de vida somam 12%, enquanto desemprego, desigualdade social e baixo crescimento econômico chegam a 8% cada.
O resultado também apresenta diferenças políticas. Entre os eleitores que preferem Lula, segurança alcança 35% e saúde, 29%. Entre aqueles que preferem Flávio Bolsonaro ou outro candidato indicado por Jair Bolsonaro, corrupção chega a 37%, enquanto segurança aparece com 33%.
Maioria avalia mal a economia, mas situação pessoal tem percepção melhor
A percepção sobre a economia nacional continua predominantemente negativa. Na rodada de 28 de setembro, 51% classificam a situação econômica do país como ruim ou péssima. Outros 30% consideram regular e 17%, ótima ou boa.
Quando a pergunta passa para a situação financeira pessoal, a avaliação é menos negativa. São 45% que a classificam como regular, 34% como ótima ou boa e 20% como ruim ou péssima.
A percepção econômica também apresenta forte diferença de voto. Entre aqueles que consideram a economia atual melhor do que no governo anterior, 79% votam em Lula no primeiro turno. Entre os que consideram a economia pior, 69% escolhem Flávio Bolsonaro.
Pesquisa é a primeira após a MP das Bets
Além da controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida, esta é a primeira rodada BTG/Nexus realizada após a MP das Bets. A medida entrou no debate político justamente no período anterior ao novo levantamento.
A coincidência temporal torna a comparação com a rodada anterior especialmente relevante. No principal cenário de primeiro turno, Lula passou de 40% para 42%, enquanto Flávio permaneceu em 37%. No segundo turno, Lula continuou com 46% e Flávio oscilou de 45% para 44%.
No entanto, a pesquisa não perguntou aos entrevistados se a MP alterou a intenção de voto. Assim, os números permitem comparar o cenário eleitoral antes e depois do episódio, mas não concluir que a medida foi responsável pelas oscilações.
96% dizem que devem comparecer para votar
A eleição também chega à reta final com alto comparecimento declarado. Segundo a Nexus, 89% dizem já ter decidido comparecer às urnas, enquanto outros 7% afirmam que provavelmente irão votar.
Somados, são 96%. Apenas 3% dizem que provavelmente não comparecerão ou que já decidiram não votar ou justificar. O índice permanece praticamente estável durante toda a série histórica.
A pesquisa BTG Pactual/Nexus entrevistou 2 mil eleitores por telefone entre 25 e 27 de setembro. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-07557/2026.
