Erika Hilton e Boulos no PT? PSOL impõe condições para liberar deputados após decisão do TSE

A possível filiação de Erika Hilton e Guilherme Boulos ao PT enfrenta um novo obstáculo. A direção do PSOL pretende negociar as condições para liberar parlamentares ligados à corrente Revolução Solidária, que avaliam deixar o partido após divergências internas. A mudança ganhou novos contornos depois de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que fortaleceu a posição da legenda nas negociações.

Segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, o PSOL não pretende conceder automaticamente cartas de anuência aos parlamentares interessados em migrar para o PT. Além de Erika Hilton, a movimentação envolve Natalia Boulos, eleita deputada federal por São Paulo, e Rick Azevedo, eleito pelo Rio de Janeiro. Outros integrantes da corrente também podem acompanhar a transferência.

Erika Hilton e Boulos no PT: por que o grupo quer deixar o PSOL?

O afastamento entre a Revolução Solidária e a direção do PSOL ganhou força no início de 2026, quando o grupo liderado por Guilherme Boulos e Erika Hilton defendeu a formação de uma federação partidária com o PT. A proposta, entretanto, não conseguiu apoio suficiente dentro da legenda.

A corrente defendia uma aproximação institucional mais profunda entre os dois partidos, enquanto a direção do PSOL optou por manter outra estratégia de alianças. A derrota na disputa interna ampliou as divergências e abriu caminho para a possibilidade de uma migração coletiva ao PT.

Apesar do conflito, os integrantes da Revolução Solidária permaneceram no PSOL durante as eleições de outubro. Agora, o grupo argumenta que sua participação eleitoral contribuiu para que o partido alcançasse os índices necessários ao cumprimento da cláusula de barreira.

Decisão do TSE dificulta saída de Erika Hilton e outros deputados

O principal obstáculo para a mudança partidária surgiu na terça-feira (27), quando o TSE reconheceu que o PSOL e a Rede Sustentabilidade, integrantes de uma federação, cumpriram a cláusula de barreira nas eleições de 2026.

Antes da decisão, os parlamentares poderiam recorrer à exceção prevista para partidos que não alcançam o desempenho eleitoral mínimo. Essa regra permite, em determinadas condições, que deputados deixem suas legendas sem perder o mandato.

Com o reconhecimento do desempenho da federação, essa justificativa deixa de estar disponível. Dessa forma, deputados federais interessados em trocar o PSOL pelo PT precisarão encontrar outra hipótese legal de justa causa ou obter autorização partidária.

A chamada carta de anuência permite que o parlamentar deixe a legenda com a concordância da direção. Sem essa autorização ou outra justificativa reconhecida pela Justiça Eleitoral, a desfiliação pode provocar uma disputa judicial e colocar o mandato em risco.

Natalia Boulos e Rick Azevedo também podem migrar para o PT

A negociação não envolve apenas Erika Hilton e Guilherme Boulos. Natalia Boulos, eleita deputada federal por São Paulo, e Rick Azevedo, eleito pelo Rio de Janeiro, também integram o grupo que avalia a transferência para o PT.

A possível saída coletiva pode alcançar ainda deputados estaduais e vereadores ligados à Revolução Solidária. No entanto, as consequências jurídicas variam conforme o cargo e as condições de cada desfiliação, especialmente porque as regras de fidelidade partidária têm aplicação específica aos mandatos proporcionais.

Guilherme Boulos, por sua vez, ocupa atualmente o Ministério da Secretaria-Geral da Presidência e está licenciado do mandato de deputado federal. Sua aproximação com o PT integra uma movimentação política mais ampla, que envolve parlamentares com diferentes situações jurídicas.

PSOL quer negociar antes de autorizar filiações ao PT

De acordo com a Folha, integrantes da direção do PSOL defendem que os interessados em deixar o partido negociem formalmente as condições de saída. Isso significa que a liberação dos parlamentares não ocorrerá necessariamente de maneira automática.

O reconhecimento do cumprimento da cláusula de barreira ampliou o poder de negociação da legenda. Por outro lado, integrantes da Revolução Solidária sustentam que ajudaram o PSOL a atingir o desempenho eleitoral necessário, argumento que pode ganhar espaço nas conversas entre os dois grupos.

O impasse também revela uma divergência estratégica dentro da esquerda brasileira. Enquanto a Revolução Solidária buscou aprofundar a integração com o PT, a direção do PSOL rejeitou a proposta de federação partidária apresentada no início do ano.

Por enquanto, a eventual filiação de Erika Hilton, Guilherme Boulos e outros integrantes da corrente ao PT continua dependendo de negociações políticas. A decisão do TSE não impede definitivamente as transferências, mas torna mais complexa a saída de parlamentares que desejam preservar seus mandatos.

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