Datafolha e Quaest erraram por quanto em 2018 e 2022? O que as pesquisas revelam antes do segundo turno de 2026

Uma vantagem de dois pontos nas pesquisas significa uma vitória garantida? E quatro pontos? A poucos dias do segundo turno presidencial de 2026, marcado para domingo (25), vale olhar para o que aconteceu nas eleições de 2018 e 2022. Os números mostram que uma diferença aparentemente confortável nas pesquisas pode se transformar em uma disputa muito mais apertada nas urnas.

O Datafolha e a Quaest merecem atenção especial nessa comparação, não porque os demais institutos devam ser ignorados, mas porque seus levantamentos são referências importantes no acompanhamento eleitoral. Ao comparar as últimas pesquisas com os resultados oficiais, podemos identificar quanto cada instituto se distanciou das urnas e, principalmente, por que uma vantagem nas intenções de voto não equivale a uma vitória assegurada.

📊 Datafolha: o que aconteceu nas duas últimas eleições?

Em 2018, o Datafolha chegou à véspera do segundo turno apontando Jair Bolsonaro com 55% dos votos válidos, contra 45% de Fernando Haddad. Quando as urnas foram abertas, Bolsonaro terminou com 55,13% e Haddad com 44,87%. A diferença entre a pesquisa e o resultado foi de apenas 0,13 ponto percentual para cada candidato.

Quatro anos depois, a história foi diferente. Na última pesquisa de 2022, o instituto apontava Lula com 52% e Bolsonaro com 48%. O resultado oficial foi de 50,90% para Lula e 49,10% para Bolsonaro. Dessa vez, a votação de Bolsonaro ficou 1,10 ponto acima do levantamento, enquanto a de Lula ficou 1,10 ponto abaixo.

EleiçãoDatafolhaResultado oficialErro por candidato
2018Bolsonaro 55%Bolsonaro 55,13%0,13 p.p.
2022Lula 52%Lula 50,90%1,10 p.p.

Considerando os dois segundos turnos, o erro absoluto médio do Datafolha foi de 0,62 ponto percentual por candidato. É um número relativamente pequeno, mas que precisa ser interpretado com cuidado: duas eleições não constituem uma amostra suficiente para estabelecer a precisão que o instituto terá em 2026.

🔍 E a Quaest? O que sua última pesquisa de 2022 mostrou?

A Quaest não possui, nessa comparação, o mesmo histórico de dois segundos turnos presidenciais do Datafolha. Por isso, o recorte disponível é a eleição de 2022, quando Lula e Bolsonaro disputaram a Presidência.

Na última pesquisa divulgada antes da votação, a Quaest registrou 52% dos votos válidos para Lula e 48% para Bolsonaro. O resultado das urnas foi de 50,90% a 49,10%. Assim como ocorreu com o Datafolha naquele ano, a diferença foi de 1,10 ponto percentual para cada candidato.

O dado mais interessante não é apenas o erro individual, mas a diferença entre os candidatos. Tanto Datafolha quanto Quaest apontavam uma vantagem de quatro pontos percentuais para Lula. Nas urnas, essa vantagem foi de apenas 1,80 ponto.

Comparação em votos válidos. As pesquisas apresentaram uma vantagem 2,2 pontos percentuais maior que a observada no resultado final.

Isso revela uma distinção fundamental para interpretar pesquisas: quando um candidato aparece com 52% contra 48%, sua vantagem é de quatro pontos, mas uma alteração de 1,1 ponto na participação de cada candidato reduz essa diferença para 1,8 ponto.

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🎯 Datafolha e Quaest: uma vantagem superior a 2,2 pontos traz mais segurança?

Em 2022, Datafolha e Quaest apontavam Lula com quatro pontos percentuais de vantagem sobre Jair Bolsonaro na última pesquisa antes do segundo turno. Nas urnas, entretanto, a diferença caiu para apenas 1,8 ponto. Ou seja, a vantagem registrada pelos dois institutos foi 2,2 pontos maior do que a diferença real entre os candidatos.

Esse histórico oferece uma referência interessante para acompanhar as pesquisas de 2026. Uma vantagem superior a 2,2 pontos ultrapassaria a diferença observada entre pesquisa e urna em 2022, oferecendo uma margem adicional nessa comparação histórica. Isso não representa uma garantia de vitória, já que o comportamento dos eleitores e os erros dos levantamentos podem mudar de uma eleição para outra.

O cuidado fundamental é não confundir os 2,2 pontos de diferença entre os candidatos com um erro de 2,2 pontos na votação individual: em 2022, o desvio foi de 1,1 ponto para Lula e 1,1 ponto para Bolsonaro. Assim, os 2,2 pontos servem como referência histórica para avaliar a distância entre os candidatos, não como uma margem de erro estatística ou um limite seguro para prever o resultado de domingo. que toda vantagem de quatro pontos esteja destinada a diminuir, nem que seja correto descontar automaticamente 2,2 pontos das pesquisas de 2026.

🗳️ O que os resultados de 2018 e 2022 ensinam sobre as pesquisas de 2026?

As duas eleições mostram por que não basta olhar apenas para o nome que aparece numericamente à frente. Em 2018, a última pesquisa Datafolha ficou praticamente idêntica ao resultado oficial. Em 2022, Datafolha e Quaest registraram uma diferença maior entre os candidatos do que aquela observada nas urnas.

Também é importante considerar os demais institutos. Em 2022, CNT/MDA e Paraná Pesquisas apresentaram estimativas próximas ao resultado final, enquanto Ipec e AtlasIntel registraram vantagens maiores para Lula. Isso demonstra que diferentes metodologias podem produzir resultados distintos mesmo quando os levantamentos são realizados em períodos semelhantes.

Portanto, a comparação histórica ajuda a entender o tamanho das diferenças que já ocorreram, mas não fornece uma margem universal a ser aplicada às pesquisas atuais. O erro observado em eleições anteriores não deve ser confundido com uma correção obrigatória para uma eleição futura.

A conclusão para o segundo turno de domingo é que Datafolha e Quaest devem ser analisados não apenas pelo percentual de cada candidato, mas também pela distância entre eles, pela margem de erro divulgada e pela consistência dos resultados ao longo do tempo. A votação de 2018 e 2022 oferece referências concretas sobre a precisão passada desses institutos, mas a confirmação do resultado de 2026 dependerá das urnas.

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